#9 – Análise Completa da Porto Seguro – PSSA3

08/07/2020 18 Por Papo TR
AVISO! Já deixo avisado que esse post será grande.


E aí meus leitores, beleza? 


Eu vou trazer algumas análises de empresas e teses de investimentos que eu tenho na minha carteira, também devo trazer mais pra frente alguma coisa que eu não tenha em carteira e dizer os porquês. Inicialmente essa análise eu ia colocar no canal Escola para Investidores no Youtube, mas como ia ficar um vídeo gigante e ia ser um pesadelo animar ele, então minha preguiça venceu e vou deixar como post. Já deixo avisado que esse projeto começou lá no canal e por causa disso já tem dois vídeos sobre o assunto:

O primeiro vídeo analisa o mercado de seguros brasileiros e ver se ele é bom ou não.

Análise do mercado de seguros brasileiro
O segundo vídeo explica como funciona uma seguradora e quais são as tendências futuras que eu enxergo no ramo.
Entenda as seguradoras e as tendências futuras

Recomendo fortemente que vocês vejam antes de prosseguirem com a análise da que está por vim, isso porque esse inicio de tese de investimento é o que fundamenta em si as diretrizes da análise da empresa. Bem, vamos deixar de enrolar e vamos xeretar o business da Porto Seguro (que vou chamar a partir de agora apenas de PS). Também já deixo avisado que a análise será um pouco longa porque são muitos detalhes, mas também te prometo uma boa análise, porém, não tão profunda, tão técnica. O foco aqui não é inventar nada nem ficar cutucando muitos números, é uma análise simples, descomplicada, mas o suficiente para eu colocar a empresa na minha lista de futuras aquisições ou não. 
Primeiramente, antes de entrar a fundo na empresa eu gosto de ver rapidamente o que a empresa faz (primeiramente, só para conhecer por cima, mais lá pro meio da análise vou aprofundando mais), hoje a PS é a quarta maior seguradora do brasil e é líder em segmento de auto e de residências. 
A empresa tem uma controladora chamada PSIUPAR, que é controlada pela família Garfinkel, com 57%, e também o Itaú, com 43%. Ultimamente eu tenho gostado muito de empresas controlada por familiares ou pelos sócios fundadores, não tenho nenhum motivo pra explicar isso, apenas gosto, parece que a trajetória deles são muito mais bem definidas. De qualquer forma, a questão do controle é tranquila pra mim. Já o Itaú é o banco mais rentável do mundo e já sou familiarizado com ele, ter ele como sócio traz uma vantagem boa e confortável, eu já tive Itaú em carteira e atualmente sou sócio da Itaúsa. Muita gente acha que a PS é do Itaú, leve engano. O free float também é bom e nem precisa focar muito nisso, com 29%.
Olhando de novo essa estrutura acionária do porto seguro dá pra ver que ela não é uma empresa nem um pouco pequena. Olha o tanto de subdivisões que a empresa tem! É seguro de carro, residência, saúde, odontológico, capitalização, vida e previdência, seguros em outro país focada em automóveis, outros ramos financeiros como consórcios e financiamentos, além de muitos outros serviços prestados como zilhões que tem aqui. Veja que interessante, a PS tem a sua própria locadora de veículos e até fornecimentos de peças de carro e seguros de animais domésticos e serviços veterinários. Eu disse que ela era um pouco complicada. Só de olhar isso já dá uma canseira né, hahaha, mas é só lembrar o que eu disse no segundo vídeo, o grosso do lucro vem daquele modelo de negócios clássico de uma seguradora.
Vamos a história da empresa em si, vamos entendê-la, como ela chegou onde está? Acho essa parte importante e aprendi isso em Narrative and Numbers – The Value of Stories in Bussiness.
A história da PS iniciou em 1945, quando começou a vender seguros na cidade de São Paulo. Ela foi fundada por diretores e acionistas do Bradesco. Dá pra ver que é uma empresa antiga, com experiência do mercado, com mais de 70 anos. Entre 1945 e 2003 a empresa veio crescendo comprando outras empresas menores e fazendo a sinergia. Em novembro de 2003, a Companhia ampliou sua presença no mercado de seguros por meio da aquisição da Azul Seguros, que oferece seguro de automóvel, seguros patrimoniais e seguros de vida. Esse daqui foi um dos grandes pulos da empresa, que levou ela pro topo das empresas desse segmento. Em 2004 ela fez o IPO, muito provavelmente pra ajudar a pagar as dívidas da compra do Azul Seguros e também pra se consolidar melhor no mercado. Esse IPO proporcionou a consolidação da governança corporativa, que é um dos requisitos pra se ter uma empresa na bolsa, e possibilitou a expansão da empresa pra fora do território de SP. 
A próxima turbinada da empresa veio no quarto trimestre de 2009, a PS e a Itaú Unibanco Holding celebraram a unificação das operações de seguros residenciais e de automóveis, pelo qual a PS obtém o direito exclusivo para a oferta e distribuição de produtos de seguros residenciais e de automóveis para os clientes da rede de agências (e demais canais) do Itaú. Preciso nem comentar a sinergia que essa parceria deu né. Com a referida associação o Itaú Unibanco passou a deter 30% de participação nas operações da Porto Seguro. O negócio possibilitou que o Itaú e a PS combinem seus padrões de excelência para oferecendo produtos mais adequados para atender os diversos segmentos de mercado, por meio das marcas: Porto Seguro, Itaú e Azul Seguros. 
Veja essas três marcas aí. A estratégia da empresa nos últimos anos quando vai oferecer os seus serviços é segmentar a marca em duas, ou ela vende seguros da PS, que é uma marca mais forte, diferenciada, tem mais nome, um alto nível de serviço e valor agregado, com mais aplicação de tecnologia e tudo mais, ou ela vende a marca Azul Seguros, que é uma marca mais povão, mais simples, preços mais acessíveis, famoso low cost. Mas em ambas as marcas ela sempre põe o nome do Itaú por trás, como se fosse um suporte das duas marcas, isso porque o nome Itaú trás muita confiança e credibilidade.
O bom de você acompanhar o histórico da empresa é que você já vai pegando o feeling dela em relação a inovação e acompanhamento de tecnologia. Não vou colocar tudo bonitinho aqui, mas ao longo da linha temporal da PS vão se verificando várias atuações muito agradáveis para os meus olhos, como a campanha de Trânsito + Gentil, que concede desconto na sua apólice se você não tiver pontos na carteira, lançamento de centros de atendimento rápido de sinistros, revisão dos valores e missão da empresa com os próprios funcionários, criação de startup aceleradora, e várias outras coisinhas. 
Eu gosto muito quando a empresa é detalhista assim, porque te dar a chance de conhecer melhor ela e mostra a dedicação do RI com o minoritário, eles se preocupam e, logo, ganha pontos comigo. Quando uma empresa só tem números contábeis no seu RI a análise fica chata e pesada, você não tem aquela análise subjetiva do negócio, que é muito importante na minha opinião (experimenta dar uma olhada na seguradora Alianças da Bahia). 
Continuando, em 2016 ela fez a aquisição da base de clientes de automóvel da Chubb, uma das seguradoras líderes no segmento Premium Auto e também a compra da base de clientes de automóvel da AIG Seguros Brasil. Isso tudo mostra que a PS chegou na liderança desses dois segmentos atuais graças a aquisições e parcerias certeiras, aliada a uma boa administração. Aqui fica visível que ela tem competência para crescer nos outros segmentos de seguros e subir no ranking de market share fazendo a mesma coisa, já podemos ficar esperando essas notícias.
Em 2017 e 2018 teve aperfeiçoamento dos app Trânsito + Gentil e SOS link e também lançou a campanha “sem sair do sofá”. Tá, ok, gostei do histórico, mas quem é a PS? Cadê aquele retrato que mostra tudo da empresa em segundos, bem, tá bem aqui:
Apesar desses dados estarem um pouco desatualizados (2018), eles não atrapalha o propósito da imagem. Rapidamente já dá pra ver que metade da PS são seguros de autos. Tirando o segmento de auto, a companhia é dividida em diversos ramos diferentes como já vimos e isso traz algumas reflexões.
É realmente vantajoso ser tão ramificada assim?
Eu diria que sim, você está exposto a muitos ramos promissores de crescimento. Claro que cada segmento é diferente, mas isso deixa o seu modelo de negócio mais robusto, mais independente do core business da empresa. Essa sinergia entre diversos ramos trás oportunidades de cross-selling, que são produtos que se auto complementam como o pacote carro + casas, se transforma em uma seguradora mais diversificada, uma one-stop-buy, em que o cliente pode encontrar todos os seguros que necessita diretamente com uma única empresa. Cria mais perspectivas futuras, ganho de escala com sinergias, soluções individualizadas caso necessário, amplia o portfólio do corretor, retém mais o cliente e tudo mais.
Veja que essa expansão da linha de negócio é algo vantajoso, mas não é uma implementação fácil, o crescimento é bom, mas você, como investidor, precisa focar no longo prazo para conseguir surfar esse crescimento, esses outros segmentos vão crescer, mas o auto ainda vai mandar na empresa por um tempinho. Um exemplo parecido é a participação do Itaú dentro de itausa, ainda vai demora um bom tempo pra eles se descolarem. 
Mas os resultados são agradáveis, sendo que o segmento auto já saiu de 61% da receita total para 56% de 2013 até 2018. Além dos diversos crescimento de market share em todas as outras linhas de negócios.
Tá, ok, mas qual é a desvantagem disso tudo? A desvantagem é que você perde atenção do seu core business, a companhia deixa de ser uma empresa só de auto, você tem o risco dos outros segmentos não darem certo, terem margens menores, puxarem os resultados pra baixo e diminuindo a rentabilidade ao todo. É sempre uma questão de risco-retorno, você pode ficar no seu parquinho onde você manda e se consolidar cada vez mais ou você pode ir lá brinca no parquinhos dos outros e talvez se machucar OU ter uma diversão muito melhor. 
Mas isso tudo é apenas baboseira, to apesar tentado dar uma visão geral de qual é a diferença entre uma empresa focada no seu core business e outra que tenta ser mais diversificada. Cada um tem seus prós e contras. Por exemplo, a empresa Odontoprev é uma empresa de seguros exclusivamente de odonto. 
E qual é a estratégia da empresa? Como ela atua? Nessa parte o primeiro destaque que eu puxo é pro foco no varejo, em pessoas físicas (PF) e em pequenas e médias empresas (PME), tentando sempre pulverizar o risco. Claro que se a empresa focar em grandes corporações ela tenha um número de clientes maiores, mas isso deixa a empresa um pouco dependentes desse clientes, o que é um risco. Isso é importante de pontuar. 
Outro destaque que trago é o foco ao atendimento e relacionamento com o cliente e com os corretores, o que me agrada muito também, pois manter o seu cliente ou o seu vendedor satisfeito é muito importante pra longevidade do negócio, pra retenção de cliente e para fortalecimento da marca. A questão do atendimento individualizado agrega muito valor também. Muitos aqui devem saber que o cliente é o ativo mais importante da empresa e dar essa representatividade de valor é uma base forte pra muitas empresas.
Ela ainda destaca muitas outras estratégias mas eu dei um realce nas que eu me identifico mais. 
Pois bem. A análise até aqui foi em cima do modelo de negócio da empresa e vimos o potencial da empresa de crescimento pro longo prazo. Vimos que as perspectivas são boas, o mercado é favorável, a empresa é boa e tem foco no cliente e em inovação, em ganhar mercado, em explorar outros nichos. Vamos então pros números dela.
Mas vou ficar devendo a segunda parte dessa análise no próximo post. Acontece que esse post vai ficar extremamente grande se eu colocar tudo junto então resolvi colocar essa pausa no meio. Lembrem-se que isso é um estudo pessoal e estou expondo ele aqui apenas como forma de compartilhamento de aprendizado meu e dos leitores, em nenhum momento quero fazer uma indicação ou recomendação (gosto de ter essa back-up das minhas análises pra daqui uns anos quando quiser consultar, além de ficar mais organizável e apresentável). 
Então é isso, fico por aqui, obrigado a todos que conseguiram ler até aqui e se realmente gostarem desse tipo de post eu trago com mais velocidade o próximo, se manisfesta aí nos comentários. É isso é tchau!!
TR