#45 – Minha história com o Bitcoin + Guia de livros

30/05/2021 8 Por TR

Bitcoin, criptomoedas, NFTs e todo esse universo parece que entrou de vez na mente de qualquer investidor que está no mínimo antenado nas novidades do momento. Apesar do Bitcoin ser uma novidade para a maioria das pessoas, não é uma tecnologia tão nova assim (tem 14 anos de criação) se comparado a outras tecnologias do ramo, como Pix, Baas e Open Banking, mesmo assim não deixa de ser algo novo que ainda está usando fraudas e é por isso que eu digo que muitas águas vão rolar no mundo do Bitcoin ou da tecnologia do dinheiro em si.

A maioria das pessoas pensa que essa moeda realmente é um bitcoin

Começo da minha história com o bitcoin

Minha história com o Bitcoin começou em 2015 quando eu procurava alternativas de ganhar dinheiro, lembro bem dessa época porque testei vários tipos de renda online “fácil”. A melhor forma que achei foi um aplicativo de pesquisa/entrevista em que eu tinha que fazer um questionário de perguntas pra pessoas válidas e o app me pagava por pacotes. Só com ele eu consegui uns R$ 300 na época, que era muito pra mim pois era basicamente o custo mensal de vida. Porém, olhando hoje sem dúvida o bitcoin foi meu maior “ganhador de pão” daquela época, pois o que eu “investi” lá se multiplicou muito.

Comecei a ganhar bitcoin num site de anúncios, onde o usuário (vulgo eu) via alguns banners ou vídeos e ganhava em troca Satoshis (são tipo “centavos” de bitcoin). Para ganhar tinha que ver o anúncio, clica no chatchar e pronto, esperava 1 min e já podia fazer de novo. Preferi essa forma porque o valor agregado era alto, algo como 10 centavos de dólar por anúncio, fazendo conta rápida, se eu visse 10 por dia era $ 1, se fizesse isso por 30 dias eram $ 30 limpo, na época o dólar estava em alta beirando os R$ 4 reais, então já era um extra forte de uns R$ 120. Lógico que as coisas não são tão fáceis assim, tinha que acumular infinitos $ 20 para fazer o primeiro saque e ainda tinha a taxa de retirada que era muito salgada e comia quase tudo.

Mas foda-se né, universitário sem grana enfrenta tudo, fui atrás de saber como retirar meus queridos Satoshis sem sofrer com taxa de banco e vi que eu podia criar uma tal de carteira digital e transferir eles por baixo custo, depois descobri que esses Satoshis faziam parte de um todo chamado bitcoin e por assim eu fui entrando nesse mundo. Lendo muito eu descobri que podia sim retirar sem sofrer muito com taxas e aí me animei, fiz um script simples pra ficar vendo anúncio 24h por dia e já comecei a vislumbrar minha vida de milionário.

Aprendendo o que é bitcoin

Nesse ritmo, enquanto o dinheiro não caia comecei a ler sobre Bitcoin e entrar um pouco mas a fundo naquilo, na época eu não tinha dinheiro pra investir, na verdade tinha uma renda fixa só pra guardar meus R$ 600 reais de reserva e só, não me passou na cabeça querer comprar essa moeda louca.

Um ano se passou e eu já tinha parado de garimpar Satoshis há muito tempo, apesar de toda engenharia que fiz pra lucrar mais, o site tinha limite de anuncio diário, sendo que ele aumentava os 1 minutos de espera pra mais depois de uns 20 anúncios assistidos, daí desanimei. Porém de vez em quando eu ia lá e via uns 10 só pra dizer que estava “trabalhando”.

Porém fui ver meu “caixa” e vi que estava bem mais gordo, foi daí que percebi que o tal do bitcoin tinha saído de $ 200 pra $ 500, UAU!! Pera, tem coisa boa aí! Foi aí que fiquei com maior interesse em descobrir o porque disso e também de tentar migrar meus pequenos bitcoins para uma corretora. Abri conta na Coinbase e aprendi sobre transferência em carteiras digitais, chaves públicas e privadas e por aí vai. Pra abrir a conta tinha que depositar uns $10 dólares eu acho, então lá foi eu transferir uns R$ 50 reais nessa aventura. Acabei “gostando” do que estava fazendo e logo depois pensei em transferir mais.

Alguns meses se passaram e o bitcoin já valia $ 800, isso me animou muito o que fez eu ir estudar ainda mais, parei de ler apenas artigos e encarei os livros (falo deles no final), quanto mais eu lia mais eu me animava, mais eu queria contar para os outros e embarca eles nessa. Porém, mesmo numa faculdade com foco em engenharia e com alunos mil vezes mais inteligentes do que eu o interesse por dinheiro era pouco, mas consegui engajar alguns.

Convenci alguns amigos de investirem “em mim” (isto é, no bitcoin) falando que ia dar bom, uns me deram R$ 80, outros, R$ 50, outros R$ 20 (vida de universitário né) e juntei mais uns R$ 100 meu e comprei tudo em bitcoin, naquela época eu já estava aprendendo sobre Ethereum e Litecoin também, mas ainda não tinha me aventurado.

Da escalada milagrosa pro poço

Resumo, deu no que deu, o valor só aumentava dia após dia, $1500, $2800, $4300, $6000, quanto mais subia mais feliz eu ficava e mais eu queria falar disso, só que era o mesmo que falar com as paredes, mas pelo menos eu conversava com elas com um sorrido na cara. Acabou que comecei a ficar com medo de uma queda porque não entendia o que tudo aquilo significava, na verdade eu já tinha um bom conhecimento sobre o sistema em si e de finanças e economia e encarava aquilo como uma certa bolha. Então eu tirei todo valor que investi e mais um pouco, foi um bom valor (mais da metade na verdade, acho que uns R$ 800, deixando uns R$ 1.000 lá), tirando o que eu tinha meio que aportado pra dizer que nunca teria prejuízo nisso e também retirei o valor dos amigos.

Fique com metade dos lucros de cada um (foi justo não?) e o resto chamei eles pra comer fartamente num restaurante que gostávamos, naquela época a vida ia muito bem, já era servidor público e ganhava muito acima do que precisava pra viver, já aportava forte em ações mas não aportava quase nada em bitcoin.

No fim de 2017 o filha da puta do bitcoin estava batendo na casa dos $ 13.000, me peguei muitas vezes pensando em refletindo como eu poderia esta rico de tudo que eu tivesse em ações tivesse em bitcoin, naquela época eu já tinha uns R$ 30.000 de patrimônio e se isso fosse aportado em bitcoin desde o começo eu já teria uns R$ 400.000, isso era absurdo pra mim! Se falar que eu ficava viajando na maionese achando que aquilo tudo ia continuar.

Outro detalhe foi que muitas pessoas da faculdade começaram a falar do assunto, começaram a aparecer os traders de criptomoedas vizinhos, anúncios gigantescos no youtube, conversa de pelada sobre bitcoin de alguém que investiu e já ia se aposentar e por assim vai. Isso só me animava mais e mais, era o famoso FOMO (fear of missing out) para os que conheciam rasamente do assunto, até eu sentia mesmo eu já fazendo parte da festa, parecia que eu não estava no piso que a música tocava mais alto. Então depois disso tudo eu me decidi: “vou colocar 20% do meu aporte em bitcoin a partir do próximo salário!”

Mas como todos sabem o festão não durou tanto. A queda veio e veio forte, minha vontade de aporta passou rapidinho (kkkk) e assim não brinquei mais. Mesmo caindo muito e espantando todos o lucro monstruoso que eu tinha ainda tinha muitos % de rentabilidade, o dedo coçou pra tirar, mas não tinha um porque claro, eu não precisava da grana investida e também já acreditava na tecnologia pro longo prazo, então deixei lá quieto na minha carteira.

Ahhh, detalhe que nem vou entrar muito a fundo, eu não sabia muito bem mexer nas carteiras digitais e instalei uma que era multimoedas pra guardas meus bitcoins e ethereums da época, mas acabei me enrolando todo com ela e perdi uns R$ 200 reais dentro dela (uma vez que vc perde a chave privada JÁ ERA MERMÃO!), se eu for brincar de converter isso pra hoje deve dá no mínimo uns R$ 4.000.

E depois disso tudo?

Entre 2017 e 2020 eu continuei lendo alguns livros novos ou relendo sobre o assunto nos antigos. Cada vez que eu relia eu reforçava os fundamentos do protocolo e me animava e comprava um pouco, sempre aportes pequenos em relação ao aporte total, coisa de R$ 100 a R$ 300 esporadicamente.

Nesse tempo todo eu nunca mais vendi, firmei uma regra que se o bitcoin chegasse a valer mais de 10% do meu patrimônio total eu venderia, nesse pico de agora há pouco (2021) ele chegou a 12% e mesmo assim não vendi, fiquei naquela de que não estava me sentindo desconfortável então não precisava vender. Sinceramente não me arrependo de não vender e ficar com o dinheiro no bolso, mesmo podendo comprar ele agora com um “desconto” de 50% em relação ao anterior, como já disse nesse post, minha fase de ficar me arrependendo por não agir nesses momentos já passou.

Bitcoin sem sombra de dúvida me ensinou MUUUUITO, foi um puta professor, aprendi muito de tecnologia, economia em geral, dinheiro, capitalismo, crises, graças a ele eu fui mais a fundo em diversos tópicos que eu acho que não iria em situações normais.

Porém o que mais trouxe de aprendizado do bitcoin foi as experiências que eu tive nesse tempo, aprendi na pele o que é sentir o FOMO, o que é ficar com vontade de colocar mais dinheiro no que não conheço, aprendi absurdos sobre oscilação de mercado, altas gigantescas, quedas gigantescas, depois de vivenciar o bitcoin a bolsa de valores aparenta ser tão sem graça, não no sentido de que não gosto de lá, na verdade 90% do que eu tenho está em renda variável, mas no sentido de que subidas de 3%, 5%, 7% pra mim não me chamam mais atenção, nem sequer mexem com o meu emocional, assim como quedas de 5%, 8% ou mais também não me afetam, pode aparecer aquelas manchetes de “empresa X desaba”, “ação Y derrete na bolsa” que eu nem ligo.

Sem dúvida meu comportamento e minhas reações na queda do COVID em março de 2020 foram fortemente influenciadas por esse aprendizado que tive com o bitcoin e hoje vejo que as decisões que tomei naquela épocas foram muito boas.

Hoje tenho minha carteira com meus bitcoins lá parados, não pretendo vender, representam 6% do meu patrimônio atual (após queda de 2021) e continuo com a tal regra de não passar dos 10% (nas coxas hahaha). Quando cai muito eu compro, nessa queda recente fiz boas compras, mas sempre pouco, aportando menos de R$ 500. Estou com pensamento de longo prazo, se o prçeo for pro espaço é o tal do investimento convexo, vou me dar muito bem; se for pra zero vou perder 6% do que tenho atualmente, vai ser triste mas não existe aqui o risco da ruina, perco mas não me fodo, tá tranquilo! É essa a cabeça que eu tenho hoje sobre esse assunto!

E o guia de livros?

Li muitos livros sobre o assunto, afinal, brinco de bitcoin faz uns 5 ou 6 anos, nesse tempo já li e vi muita porcaria, assim como também consegui achar muita referência boa. Inspirado pelo episódio do Boteco FIRE dessa semana sobre bitcoin (se não ouviu corre lá) e também com este post fiz um vídeo com um guia de livros para aprender bem os fundamentos desse mundo.

Para quem não quiser ver o vídeo vou deixar o nome dos livros rapidinho aqui, no vídeo eu deixo alguns comentários do que acho de cada livro, aqui não vou fazer isso porque esse post já está muito grande. Diferente do que fiz no vídeo vou deixar em ordem de complexidade, do mais tranquilo pro mais pesado, porém, um dos mais pesados é um dos que eu mais recomendaria pra ler, vou deixar ele destacado em negrito.

  • Post A fabulosa ilha bitcoin
  • O Futuro do Dinheiro
  • Bitcoin Revolution: Ending Tyranny For Fun and Profit
  • The Internet of Money, Volume I, II e III
  • Bitcoin Redpill: O renascimento Moral, Material e Tecnológica
  • Bitcoin: a moeda na era digital
  • Padrão Bitcoin: a alternativa descentralizada do banco central
  • Mastering Bitcoin

Não precisa ser tarado da leitura que nem eu, ler 2 ou 3 daí já está mais que suficiente, sei que poucos tem o costume, ânimo e interesse pra chegar tão longe, mas se ajudar alguém tá aí!

TR