#36 – Investir ou não investir no exterior? Eis a questão

26/03/2021 8 Por TR

Eu já fui um grande acompanhador de influencers, até porque meu aprendizado financeiro começou como a da maioria: vendo vídeos no Youtube, lendo blogs e livros, baixando PDFs e Ebooks e ficando sempre com dúvidas e mais dúvidas e o ciclo se retroalimentava. Depois que eu atingir um certo conhecimento consolidado de investimento e me “achei” nesse mundo das finanças parei de acompanhar tanto, fiquei saturado, só de ouvir “deixa o seu like” eu já revirava o olho, é nítido como muito conteúdo é feito apenas pra gerar views e conseguir mais seguidores, qualquer modinha é motivo pra entupir sua caixa de notificação sobre qualquer assunto que no fundo é o mesmo e, recentemente (e atualmente), parece que a modinha da vez é investir no exterior.

Devemos ou não investir no exterior? Realmente é necessário? Se sim, essa necessidade é tão urgente e gritante como tantos falam por aí?

Esse assunto veio a minha cabeça depois que um amigo (Thiago do Inglês Everywehere) jogou no grupo que ele sente uma certa “pressão” pra investir no exterior, já que todos atualmente só falam disso e só há “maravilhas e vantagens gritantes” de se investir lá fora, então ele estaria “atrasado” em não ir nessa linha também. Interessante esse sentimento, eu não sinto essa pressão, até porque me desliguei do mundo dos influencers (fiz um detox digital), mas isso é de fato verdade, muitos investidores que acompanham essa galera podem sentir isso, e olhando rapidamente esse mercado de novo vi que várias casas de análise e youtubers fizeram seus cursos de investir no exterior.

Mas o que eu penso sobre esse assunto? É de fato necessário?

Bem, a minha visão de investimento é muito simples e é inundada de conhecimentos do velho Buffet e do Peter Lynch: invista onde você se sente confortável, ponto! Você é bom em imóveis, sabe comprar com desconto em leilão e vender rápido por aí? Foca nisso! Você adora FII, sabe ler os relatórios e acha simples e rápido investir neles? Foca neles! Manja de analisar empresas brasileiras? Foca nelas! Gosta de investir apenas no setor elétrico porque você é do ramo e entende muito, parabéns, continua nessa linha! Agora você sabe muito do mercado americano, na verdade manda muito bem na região do Texas e tem alguns empresas promissoras saindo de lá? Cara, investe, tá esperando o que?

A questão central pra mim sempre vai ser essa, investir em algo que você conheça e que se sente confortável fazendo isso. Esse é um dos motivos do porque eu invisto muito mais no Brasil do que no exterior, ou porque invisto muito mais no setor de tecnologia do que no de chão de fábrica, ou porque invisto muito mais em Bitcoin do que nas outras criptos, eu simplesmente fico onde eu sinto que é o meu círculo de competência.

Agora querer expandir meu circulo de competência é mais do que normal, querer aprender e conhecer cada vez mais é sempre bem vindo, mas isso demora, leva tempo e vivência. Botar o pé no exterior e começar a estudar e aprender sobre isso é excelente, você vai descobrir se é ou não pra você. Mas ir pra fora só porque o influencer X está gritando que o Brasil vai virar Venezuela, que o Presidente é uma merda ou porque um dólar vai valer 10 reais daqui 2 anos é muito alarmismo apenas pra obter cliques, view e consequentemente vender os cursos.

Muitos vão pros EUAs investir mas não sabem nem o básico do país, ou do setor ou muito menos da empresa. Investir nas FAANGAs (Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Google) só porque viu o nome e achou bonito é o mesmo que declarar que você não tem critério nenhum de investimento, uma coisa é conhecer o nome, a marca, a fama, outra é conhecer a empresa. Caso isso aconteça por favor volte ao básico dos investimentos porque muito provavelmente na próxima baixa você estará no grupo dos vendedores.

Faz 2 anos que invisto e estudo o mercado norte americano e global e poucas empresas entraram na minha carteira simplesmente porque não acho tão simples assim estudar e entender bem elas, o que fazem ou qual é o potencial do mercado delas. Coloquei Tesla pra trabalhar pra mim, mas foi mais porque entendi a importância da empresa na tese de energia do mundo e a importância dos carros elétricos e baterias elétricas do que pelo nome dela em si, mas mesmo assim, ela é a empresa (individual) que mais tenho percentual na carteira e não passa de 0,6%.

Ok, mas e o argumento da diversificação? Quanto mais diversificado, melhor não?

Sim, sou a favor da diversificação, mas não acho que ir correndo pro exterior vai muito nessa linha, corrigindo pra o que eu acho que é certo: quanto mais diversificado em ativos que você conheça, melhor! E outra, na minha visão, diversificar no exterior pra mim é mais na questão da moeda do que em ativos em si, e por isso que quase 25% da minha carteira está em dólar mesmo eu tendo pouquíssimas empresas americanas, quase 16% está na tese de energia/urânio e outros 8% em bitcoins, e ambos são ativos dolarizados. Se eu pudesse escolher entre investir numa Amazon da vida porque ela é dolarizada ou pegar uma empresa de tecnologia brasileira, como a Sinqia, e “dolarizar” ela eu ficaria com a Sinqia em dolar, porque ela eu conheço, já a Amazon, apesar de ser uma gigante e ter provado o seu valor faz muito tempo, não conhece nem 20%.

Como o Diego diz no episódio 3 do Boteco FIRE, tem opinião pra tudo e essa é a minha, não se sinta pressionado com o seu dinheiro, você é o que mais sabe o quanto suou pra conseguir ele, da mesma forma, você é o que mais tem que saber para onde esse dinheiro vai. Não sou contra investir no exterior, sou contra acelerar esse processo por pura modinha ou opinião alheia.

Deixo rapidamente aqui no final o episódio que eu, Diego e Gleison falamos um poucos mais sobre investimentos no exterior:

TR