#35 – Vida nômade: Liberdade, desapego e aventura

22/03/2021 6 Por TR

Autor: Robison Portioli
N° Páginas: 284
Nota: 5/5
Reeleitura: Não

Gosto muito de livros de aventura e viagens, principalmente daquelas em que pretendo me meter. Desde quando botei na cabeça que iria fazer um mochilão longo eu comecei a ler relatos, depoimentos e livros sobre o assunto. O livro Vida Nômade do Robison é um daqueles livros extremamente gostosos de ler em que você embarca literalmente com o autor na viagem, sentido as angustias, medos, ansiedades e alegrias do autor.

Robison Portioli teve uma vida bem diferente de um brasileiro comum ou qualquer cidadão comum do mundo, ele teve grande parte da sua infância dentro de um motohome, viajando junto com seus pais e irmãs. Logo depois quando assumiu a maioridade foi pra outra cidade fazer um curso superior, mas a falta de movimento na vida e a vontade de voltar as estradas era maior e em pouco tempo ele se livrou de tudo e colocou o essencial em cima de sua pequena moto e foi rodar a América do Sul. Me identifico muito com Robison pois tenho esse desejo forte dentro de mim, admiro ele por ter tomado essa decisão e ter pulado nessa aventura mesmo não tendo grande preparo, como dinheiro, roteiro ou mesmo um transporte “adequado”. Fico pensando como tem muitas pessoas que planejam, planejam e acabam não executando nada e aquelas tem a coragem de pular de cabeça sem nem sequer olhar pra frente direito, só querem saber de executar o que tá na cabeça. Eu tento fazer parte dos dois grupos, sou um grande planejador e adoro ter tudo planilhado, mas também gosto de ligar o foda-se e fazer o que der na telha.

As aventuras que ele relata são muito boas, apesar de ser o primeiro livro dele e ele não ser nenhum estudante de letras ou algo do tipo, a narrativa traz uma envolvência forte e traz aquela sensação de livro que você não quer parar de ler, cada capítulo é algo novo que te prende e ter que fechar o livro por causa de sono ou outra tarefa chega a ser árduo. São narrativas desde encontros e conversas inusitadas no meio da viagem, paisagismo, estado mental e espiritual do autor com os cenários encontrados, estilo de vida desapegado e minimalista (todas as sua bagagens e utensílios cabem num baú de uma moto) e, ao meu ver, o mais forte do livro, suas histórias de superação e os “perrengues” passados durante a viagem.

Sempre quando leio livros desse tema me pego pensando e viajando na maionese como seria eu nessa viagem. Sempre achei o estilo de viagem solitária numa moto ou bicicleta muito atraente, tirando o esforço (no caso da bicicleta) e o ponto negativo de ser um meio de transporte sem muito suporte, os pontos positivos são muito fortes, como uma viagem mais lenta e proveitosa, aproveitando mais a natureza e os locais mais difíceis de se chegar, sem falar que é uma forma muito mais barata de viajar. Porém, mesmo me imaginando bem nesse tipo de viagem eu ainda (ou talvez nunca tenha) não tenho a coragem de fazer isso, por causa de um único motivo: o risco da ruína (Antifrágil).

Pois é, ser leitor de Taleb tem dessas, alguns conceitos dele grudam na sua cabeça e você não consegue mais ver o mundo de outra ótica. O risco da ruína é aquele em que se algo acontecer, acabou, game-over, e nesse caso eu estou me referindo a morte. Por experiência de vida nós já sabemos que viagens sobre duas rodas são perigosas, não porque o condutor seja imprudente ou algo assim, mas porque há tantas chances de algo dar errado sem que isso dependa de você que faz com a sua segurança fique em risco. Vi isso em outros livros de viagem de moto que já li e também aqui no livro do Robison, apesar dele conduzir a sua moto com segurança e atenção, os perrengues que ele passou na viagem mostram que mesmo ele sendo extremamente cuidadoso não elimina esse risco de vida que ele passou. Não vou contar mais pra não entregar muito no livro, mas “conheço” um pouco dessa visão pois tenho muitos amigos motociclistas que, apesar de conduzirem muito bem e com segurança, direto e reto são atingidos e acidentados por culpa de outros, um deles ficou em como e depois UTI por 6 meses, e agora tem que encarar mais 1 ano de fisioterapia simplesmente ele estava no lugar errado, na hora errada e no veiculo errado (ele estava com a moto parada). Enfim, não adianta nada sair pra um sonho e ser interrompido por imprudência dos outros, enfim de novo, só só pra deixar registrado aqui porque eu ainda não penso em fazer minhas viagens nesse estilo.

Voltando ao livro, outra coisa que me identifiquei muito foi que o autor fez essa viagem também em busca de autoconhecimento (assim como eu quero fazer), mostrando ter sido um belo de um acerto pois o Robison antes da viagem e o Robison depois dela são pessoas completamente diferentes e isso se acentua tanto que ele literalmente PARA no meio da viagem e volta pra casa, porque ele viveu tanta coisa, absorveu tanta coisa nova e tanta reflexões vinham a cabeça dele que ele mesmo viu que precisava de um tempo pra refletir e assimilar tudo, o que eu achei muito foda hehe!

Esse é um dos motivos principais do porque penso em fazer mini-aposentadorias ou em ter anos sabáticos com espaço de tempo diferentes, pois apesar de gostar de viajar e querer ter sim esse estilo de vida, sei que não é algo que é pro longo prazo, sei que em algum momento enjoa, que em algum momento quero simplesmente ficar em casa parado, confortável vendo Netflix e tendo uma rotina simples ou até um trabalho simples.

Então fica aqui essa breve resenha desse livro e uma recomendação fortíssima de leitura pra quem gosta do gênero. Leitura leve, mas que te prende facilmente, com ótimos histórias e perrengues tanto pra rir quanto pra refletir, o Robison acertou cheio na escrita desse livro, tanto que fui procurar outras obras dele, mas infelizmente vi que ele não produziu mais nenhuma.

Só viaja o mundo quem não tem dinheiro, rico só faz viagem pontual

Robison Portioli

TR