#22 – Tese de Urânio – Potencial, Assimetria, Convexidade e Riscos

27/10/2020 13 Por Papo TR
Fala galerinha, tudo bom? bora pra mais uns detalhes da tese de investimento em urânio. No post de hoje vou falar um pouco sobre o potencial que esse investimento pode ter e os riscos que ele carrega.

Primeiro com o potencial, já que é o que a galera mais gosta de ver, a famosa rentabilidade. A tese do urânio se sustenta na crença de que o preço dele vai subir. Como eu já disse no post passado, o preço atual está na faixa de $ 30, com ele na faixa dos $ 50~60 a maioria das mineradores já conseguem operar no positivo e a partir de $60 é festa pra maioria. Mas porque investir logo em urânio que tem a expectativa de aumentar apenas 2 ou 3x? 
É o mesmo raciocínio que qualquer commoditie e sua mineradora. Me responda, se amanhã o preço do petróleo subir 100%, se ele duplicar, vocês vão ver a Petrobrás subir quanto? Eu diria no mínimo uns 500%, a PetroRio então, uns 8.000%. Se amanhã o preço do minério de ferro subir 150%, vocês vão ver a Vale subir muitos mil porcentos também. A mesma lógica se aplicar pro mercado de urânio e isso já aconteceu no Boom de 2003.
Naquela época o preço mostrou uma rali de subida de $20 para $120, o que aconteceu com as mineradoras? A maior empresa do setor na época, a Cameco, que tinha a maior mina e a maior produção, uma vulgo Vale ou Petrobras da vida, subiu 1000%! Isso mesmo, a maior de todas! Aquela com menos fôlego pra subir tanto. As mineradoras de médio porte, como a Mega Urânium, subiu 11000%, outras como Paladin subiu 17000%. Acho que talvez agora vocês estão entendendo onde estou entrando, toda essas altas foram em curto médio prazo, coisa de 6 meses a 2 anos (depois que começou o boom).
E é aí que entra a magia desse investimento, o potencial, a assimetria de risco-retorno. Não conto com rentabilidades milagrosas dessa, não sou bobo, passado e futuro não devem se misturar, mas SE realmente acontecer a subida do preço eu vou participar dessa mega onda, vou ir realizando o descasque do investimento, mas qualquer 1000% já estou super feliz, e isso foi a menor rentabilidade de antes. Porque eu digo que esse investimento é assimétrico, que ele é convexo? Porque tem muito a ganhar e “pouco” a perde, o máximo que você perde é o que você investir e sou eu que determino quanto “quero” perde, mas na outra ponta o céu é o limite, sendo que os fundamentos pra isso são mais fortes e sólidos do que em 2003. É uma assimetria muito favorável, quando investimos em ações ou FII temos algo parecido, podemos perde tudo que investimos e ganhar ali quem sabe, 20%, 50%, 100%, nesse investimento atípico é a mesma coisa, só que com mais zeros no possível retorno.
Porém, nem tudo são flores, digo que tenho pouco a perde porque literalmente estamos numa fase de preço do urânio nas mínimas, o mercado vem caindo desde 2011 e só agora mostrou uma leve recuperação. Mesmo assim, estou ciente dos riscos, que não são poucos, mas são suficientes pra eu querer encará-los e aceitá-los. Risco é risco, não tem o que fazer, ou você aceita eles ou não participa, é como qualquer investimento, e no meu caso eu mitigo o risco diversificando a minha carteira de empresas nessa tese, algumas podem falir, quebrar, sumir, não retornar nada? CLARO! Outras podem subir e disparar trazendo a média pra cima? TAMBÉM!
Essas filosofia de investimento de investir em grandes potenciais, as famosas tenbaggers, aprendi com Peter Lynch, que tinha uma carteira de investimento muito atípica, mais de 1400 empresas, sendo que ele apostava muito em empresas pequenas que iam deslanchar. Ele acertava? Não, na verdade ele errava a maioria, mas quando acertava amigo, era soco pra cima. 
Ok, então quais são os riscos que EU VEJO (lembre-se que há riscos que eu não enxergo também) nesse investimento?
Primeiro, só comentar antes que alto lucro não necessariamente significa alto risco, sem dúvida investir em urânio não é pra qualquer um, mas cada cenário “catastrófico” que posso citar aqui não significa que tem alta probabilidade dele ocorrer, a única coisa que temos que ter em mente é que sempre é possível que todo o setor desça à ZERO amanhã, eu tenho isso em mente.
Risco nº 1China
Sem dúvida a China é o maior vetor dessa tese, é o país que mais cresce e que esta construindo usina atrás de usina, é o país com o plano mais agressivo. O risco é simplesmente a China não continuar com os seus planos, mudar o foco, adiar pra muito lá na frente ou algo do tipo. Mesmo já tendo várias usinas sendo construídas neste momento, esse cenário é possível e configura um risco grande pro investimento. 
Risco n° 2 – Outro programa Megatons to Megawhatts
Pode ocorrer de termos outro programa desses, cujo objetivo é o desarmamento nuclear, diminuindo a força militar daquele país e transformando aquele urânio enriquecido em combustível pras minas. Esse programa já foi realizado pela Rússia em parceria com os EUA, mas os EUA em si ainda está muito armado. Portanto, pode do nada o próximo presidente dos EUA falar que vai se desarmar pra usar esse urânio nas suas usinas já que os estoques deles estão baixo? Pode! Então é o risco grande a se por na conta.
Risco n° 3 Inercia do mercado
Apesar de ser uma tese interessante ao meu ver, pode ser que tudo que eu já disse aconteça e o preço não suba, o mercado é muito inerte, o preço do urânio long-term são preços firmados em contratos que não são publicos até um certo tempo depois que eles são firmados. Esse mercado pode ser tão inerte que continue nas mínimas por um bom tempo antes do mercado “acordar” e corrigir, 5, 10, 15 anos e por assim vai.
Risco n° 4 Descobertas
Apenar da descoberta de minas e vales explorados não sejam tão significantes assim pro mercado (pois como já expliquei, o mercado ainda precisa do incentivo alto do preço do urânio pra iniciar investimentos nesses minas) a descoberta de novas tecnologias disruptivas pode abalar as mineradoras. Quanto mais nos desenvolvemos mais tecnologia criamos, nada impede de alguma empresa criar uma nova tecnologia de exploração que reduza o lift cost somente dela e faça com que o preço do urânio em $30 seja um preço super rentável, ou mesmo mudar o foco do setor, com usinas que usem combustível de plutônio como já está sendo pesquisado e implementado.
Risco nº 5Kazatomprom
Pra quem não sabe a Kazatomprom é a maior produtora de minério de urânio do mundo atualmente e é uma das poucas (se não a única) que consegue lucro com o urânio a $30. Isso é possível não ao preço ser “bom”, mas porque ela compensaria o preço baixo com uma alta produção. Se ela se irrita com o mercado pois o preço não sobe e volta atrás a sua palavra de “diminuir a produção” e querer socar urânio em todo mundo ela sozinho faz a produção mundial subir muito e fazendo com que o patamar do preço fique baixo. Atualmente ela tem uma plano de diminuição da produção anualmente até 2025 ou até o mercado não mostrar ânimos, estão, sim, estamos nas mãos dos executivos dessa empresa do Casaquistão. 
Risco nº 6Acidente
Esteja ciente de que qualquer acidente nuclear com proporções preocupantes como Fukushima é o suficiente pra esfriar esse setor mesmo que a culpa não seja da usina nuclear. Esse assunto é sensível e a pressão de um acidente com mortes é o suficiente pra jogar um banho de água fria nas mineradoras.
Risco nº 7Crise de liquidez, política e outros
Esses outros riscos são mais genéricos, aqueles que podem acontecer com qualquer mercado. Podemos ter outra crise de liquidez no mercado refugiando os investimentos em energia, assim como fazendo fugir o capital dessas mineradoras e fazendo as ações recuarem, como qualquer crise de liquidez. O risco político é alto também, pois é um mercado regulado e do nada pode aparecer um pacifista verde vendendo boas ideias e bla bla bla.
Bem, esses são alguns dos riscos que vejo, lembre-se, isso não é um investimento em valor, é uma APOSTA no crescimento do preço do urânio. Esse post pode ser resumido pra; um, os fundamentos podem estar catastroficamente errados e nada acontecer; dois, o preço pode permanecer parado por décadas mesmo que os fundamentos estejam certos e; três, qualquer coisa pode acontecer.
Meio do ano passado eu já botei meu pezinho nisso, com um percentual relativamente baixo da minha carteira, tentando diversificar ao máximo entre empresas e alguns ETFs. De lá pra cá o preço já subiu próximo de 50% e já tenho algum lucro na operação, mas o objetivo é outro, após a pesquisa, análise e a aplicação temos que ter paciência, e é isto que estou treinando agora hehe
No próximo post caso ainda queiram posso trazer um pouco de como investir nesse ramo e alguns comentários de algumas empresas que já estudei pra quem tiver curiosidade.
Ahhhh, pra quem tiver interesse de ver o vídeo sobre Peter Lynch que coloquei lá no canal, vou deixar ele aqui embaixo. A metodologia de investimento dele é bem interessante sem falar que ele foi o maior gestor de mundo né hahaha, é pouca coisa não. O vídeo é rápido, mas mais pra frente vou trazer os 2 livros dele que acho bem interessantes também.

É isso!
TR