#14 – Benchmark e o porque eu não me comparo com ele

17/08/2020 20 Por Papo TR
Olá meus leitores,

Hoje deu vontade de falar um pouco de benchmark e explicar o porquê eu não gosto de me comparar com ele.
Para quem não está familiarizado com esse nome benchmark é basicamente uma referencia do mercado que muitos usam para comparar o rendimento dos seus investimentos, no Brasil o mais clássico é o CDI e o Ibovespa. Funciona basicamente como um régua, o investidor vai lá, se compara com o rendimento desses e avalia se seu portfólio está legal ou não. É muito fácil encontrar essas comparações aqui na finansfera.
Muita gente pode pensar sobre isso de forma diferente, mas ao meu ver a forma que as pessoas pensam quando se comparam com o Ibov é mais ou menos o seguinte: 
– Se os investimentos estão ganhando do Ibov ou dando uma “surra” como alguns gostam de falar, os comparadores ficam “felizes” pois o resultado dos tempo perdido estudando e garimpando ativos está sendo compensando, afinal, se tivesse ficado com preguiça e investido tudo simplesmente no ETF eles teria tantos “%” de rendimento a menos. São ótimo investidor então, estão ganhando do mercado =)
– Se os investimentos estão perdendo do Ibov ou tomando uma “surra” elas ficam tristes ou procuram culpados como “o fundo X foi uma péssima compra” ou “a ação Y teve uma queda de tantos %” e no final isso se resultado a uma certa angústia pois está perdendo pra um investidor passivo que simplesmente aporta todo mês no BOVA11, todo aquele estudo e tempo não trouxeram vantagem nenhuma, é possível ter até um certo desanimo com investimentos e parar de acompanhar.
Talvez o pior dessa última situação nem seja “achar que ta perdendo pros outros” mas sim não dar tempo suficiente pros ativos e tentar conserta o erro mudando algo no portfólio e girando o patrimônio sem haver necessidade ou sem sequer analisar mais profundamente. Ao meu ver, fazer essas comparações não traz vantagem nenhuma pro investidor pequeno individual que nem a gente, se tiver ganhando seu otimismo sobe e pode acabar influenciando em sua tomada de decisão lá na frente, afinal, você não tem a mão de midas mas talvez a unha dele, se tiver perdendo pode acaba se desanimando ou fazendo besteira e por assim vai.
Vou além, critico aqueles que fazem comparação pura sem nem sequer ver a base dessa comparação. É comum vermos a rentabilidade da carteira do mês ou história e bater direto com a rentabilidade do Ibov correspondente, ninguém percebe o erro matemático dessa situação?
Se o ibov rendeu, sei lá, 50% desde o início dos seus investimentos e sua carteira rendeu 50% não quer dizer que vocês estão empatados, afinal, você teria 50% de rendimento no Ibov se tivesse investido todo o seus aportes no início, lá no começo, o que não é verdade não é? Muitos investidores fazem aportes frequentes, seja semanal, mensal ou trimestral. Ter uma carteira que rendeu 50% em 12 meses aportando R$ 1000 reais por mês é diferente de ter tido uma carteira que rendeu 50% em 12 meses aportando R$ 12.000 no primeiro mês, a conta aqui é juros compostos básico.
Ibov desde 1 de março de 2018 até agora rendeu aproximadamente 18,7%, se for olha apenas o gráfico como muitos olham (de 85,3k até 101,3k). Mas se o investidor tivesse feito aportes mensais de 200 reais nele, teria hoje aproximadamente um patrimônio de R$ 6.621,92, enquanto investiu R$ 6.000,00, isto é, uma rentabilidade de 10,3%, diferença gritante não?
Logo, se o objetivo é se comparar pra ver se “teria” melhor resultado no outro lado, então tem que pelo menos fazer essa comparação certa, comparar só por comparar não ajuda ninguém, pior, comparar com um parâmetro errado só vai te fazer ficar mais otimista ou mais pessimista sem necessidade alguma.
“Ahhh TR, mas temos que ter algum parâmetro, você não se compara?”
Sinceramente tento ao máximo não me comparar a ninguém, nem ao mercado, nem aquele influencer/profissional, nem aquela pessoa X, mas todos sabemos que isso é muito difícil ou praticamente impossível. Tento ter esse comportamento porque já vi que é o melhor a se fazer (na minha opinião), afinal, se você for pensar, sempre vai ter alguém melhor que você, sempre vai ter aquela ação que disparou e você não tem, sempre vai ter algo nesse sentido pra te deixa pra baixo. Concordo que muitos analistas e casas de análise batem muito nessa tecla mais porra, isso é o ganha pão deles, é a empresa deles, são meios que obrigados a se comparar ao mercado pra contar vantagem e conseguir mais clientes, da mesma forma que youtubers e afins tem que colocar na capa do vídeo as notícias ou número chamativos porque eles precisam dos nossos “views”. 
“TR, então como você faz pra se medir?”
Eu meço minha performance, meu rendimento ou a “qualidade” da minha carteira apenas comigo mesmo. Quando eu defini as regras do meu portfólio e tinha feito todos aqueles cálculos de vida que fazemos eu defini as minhas metas que eram decentes pra mim e compatíveis com o meu perfil e decidi que a minha carteira teria que render 1% ao mês pra eu me sentir satisfeito, 1% ao mês não é uma meta absurda, mas não é qualquer coisa também. Ter uma meta particular e fixa como essa é excelente porque me tira a tentação da comparação alheia e ainda me da um padrão pra me avaliar. Mas lembre-se, investimentos são pro longo prazo, eu olho muito mais o conjunto da obra do que a fotinha do mês.
1% ao mês é o mesmo que 12,68% ao ano que é o mesmo que 61,22% em 4 anos e assim vai. Atualmente estou acima dessa meta o que me deixa confortável com minhas escolhas, me deixa seguro saber que aquilo que estudei e gastei tempo está de acordo com os planos que tracei a 4 anos atrás e provavelmente ficará dentro dos planos nos próximos 26. 
Mas e o CDI ou Ibov nesses 4 anos, quanto rendeu? Sinceramente, tenho a mínima ideia e o menor interesse em saber.
TR