#47 – Investindo em Energia: como invisto em energia eólica e solar

13/06/2021 7 Por TR

Uma das grandes vantagens de investir no mercado global é porra! é o fucking mercado global!! Não estamos mais falando de um setor brasileiro, de um país ou um continente, estamos falando do mundo, inteiramente conectado e globalizado. Mas com isso também vem uma das grandes dúvidas: investir separado em cada empresa (stock picking) ou investir numa cesta delas?

É um grande desafio pra nós (investidores pequenos) e também para os peixes grandes (investidores profissionais) dominar e conhecer bem um certo setor, mesmo que você domine uma área é impossível acompanhar o desenvolvimento de cada empresa e de cada região do mundo, no mínimo precisa-se de um time especializado pra isso e é exatamente o que muitos fundos e researchs fazem, cada setor tem seus especialistas, que gastam energia vital deles pra se aprofundar e entender as diferenças de cada empresa ou região, e é aí que alguns fundos tem a oportunidade de ganhar bem, pois eles “entendem” mais, conhecimento é tudo.

Porque estou falando sobre isso? Porque a primeiro momento quando eu comecei a investir no mercado global eu tinha muito forte na minha cabeça que tinha que conhecer cada empresa, cada área, saber onde estava pisando. Isso está ok, eu vinha de uma mentalidade de investidor nacional interesseiro, é uma ótima mentalidade. Mas depois cai na real e aprendi que isso é impossível, mesmo eu estudando o setor nunca em sã consciência e tempo eu ficaria “monitorando” isso tudo de empresas. Demorou um certo tempo pra eu internalizar isso. Eu sempre dou pelo menos uma olhada nas principais empresas do setor, mas existem milhares de outras ocultas e pequenas com potencial gigantesco que mesmo que eu fosse um analista oficial do assunto eu não iria descobrir.

Por causa dessa reflexão eu mudei a minha abordagem de investimento internacional, como invisto em setores que estudo e confio (como eólico e solar), faz muito mais sentido eu investir em ETFs do que individualmente em cada empresa, porque é um investimento muito mais simples e fácil.

Eu posso saber que a Vesta Wind é a maior produtora de turbinas eólicas do mundo (em market share), ou que a Northland Power é outra gigante do setor renovável com 58% de geração via eólica, ou que a Orsted é a maior petrolífera da Dinamarca que esta trocando toda sua matriz energética freneticamente desde 2013 e já se transformou na maior produtora mundial de energia eólica (offshore) do mundo. É saudável e não custa muito ir atrás dessas informações básicas, mas veja que complicação seria investir separadamente: a Vesta Wind e a Orsted são negociadas na bolsa de compenhage, a Northland Power na bolsa de Toronto, a Simens Gamesa na bolsa de Madrid, a Longyuan Power na bolsa de Honh Kong e por assim vai.

Com essa troca de abordagem eu vou estar trocando um investimento mais criterioso e detalhado por um mais genérico, posso está fazendo um trade off de rentabilidade não muito vantajosa pra mim, mas me da tempo pra aproveitar outras coisas na vida (nem tudo é dinheiro) e ainda sim conseguir investir onde quero sem estresse.

Por exemplo, quando comecei a investir em urânio estudei muitas empresas e comecei investindo separadamente, mas poderia ter ficado satisfeito apenas com os ETFs. Algumas empresas subiram 400%, 600% até então, enquanto que o ETF subiu 150%, mas nos ETFs eu não tenho grande esforço, enquanto que investir individualmente nas empresas me vejo na obrigação de acompanhar.

Investir através de ETF me trás a simplificação de conseguir investir em todas essas empresas em apenas um ativo sem ter que ir em cada bolsa catar um share da empresa, ao meu ver é uma vantagem absurda pra pequenos investidores como nós. Além disso, ETFs mais setorizados e específicos como esses vão atrás de empresas pequenas do setor que podem se mostrar verdadeiras minas de ouro que podem valorizar 10.000% em troca de perdas de no máximo 100% (convexidade) dentro de um percentual pequeno, de 0,2% ou 0,5% do portfólio, por exemplo, mostrando-se um risco controlado.

Como já ficou claro o argumento do foco em ETFs, vamos aos investimentos em si.

Na parte da energia eólica eu invisto pelo FAN (First Trust Global Wind Energy ETF), que é um ETF global que foca especificamente na indústria de energia eólica, em que 60% do portfólio são em empresas “pure-play” (aquelas que o core business é esse, 100% eólico) e os outros 40% são em empresas “diversificadas” que possuem algum envolvimento com energia eólica, mas não necessariamente o business principal.

Gosto da diversificação desse ETF, ele limita que as 5 maiores empresas sejam “pure-play” com no máximo 8% da carteira e 4% para as restantes, isso força o ETF a ser mais diversificado e “dar chances” maiores para empresas pequenas, ao mesmo tempo que está “concentrado” em empresas maiores e líderes do segmento.

A taxa de administração do ETF é de 0,62%, o que pago feliz pras vantagens que ele me proporciona. Em questão de diversificação global também curto muito, 16% são empresas sediadas no Canada, 14% na Dinamarca (que atualmente está com planos de construir a maior ilha de geração de energia do mundo, gastando $ 34 Bi), 12% em Hong Kong, 12% nos EUA e por assim vai conforme imagem acima.

Na imagem abaixo temos a composição do tamanho das empresas. Gosto de empresas pequenas e small caps com grande potencial de valorização, então gostaria que fosses mais representativas ao todo no portfólio (acima de 15%), mas é o que temos pra hoje.

Seguindo esse mesmo raciocínio os meus investimos em energia solar também ficam num ETF. É o TAN, que tem um portfólio concentrado em empresas envolvidas na indústria de energia solar, eliminando assim grande parte do mercado mais amplo de energia renovável (nesse mercado eu uso outro ETF).

Nesse ETF temos as empresas globais desse ramo, incluindo todas as tecnologias solares e cadeia de valor (matéria-primas, instaladores, fabricantes, inversores e tudo mais). Da mesma forma que o FAN o TAN divide em dois grande grupos, as empresas puras e as médias.

A taxa de administração dele também é OK, no valor de 0,69%, e o seu rebalanceamento é trimestral. Uma dos pontos que eu não gosto nesse ETF é sua forte concentração nos EUAs, acho muito alto e existem outros ETFs com concentrações melhores, porém, acho a diversificação de ativo deles melhor para empresas médias e pequenas. Ele também não tem o limite que nem o FAN de no máximo 8% para as maiores empresas, o que faz com elas tenham grande peso do total, mesmo assim veja que 56% do portfólio são em empresas médias e 10% em small e essa composição em agrada bem.

Eu escolhi me concentrar nesses dois ETFs para energia eólica e solar, são ótimas opções na minha opinião. Já para o mercado de energia renovável em si há outras opções que gosto que são mais focadas em diversificação pura de energia renovável ou em outros setores como semicondutores, baterias, lítio e carros elétricos.

Confesso que minha intenção quando comecei escrever aqui sobre as energias renováveis era entrar mais a fundo nesses outros segmentos também, porém achei que ia ter tempo pra isso pois iria começar a viajar (na minha cabeça) apenas no fim do ano. Como os planos foram antecipado então minhas prioridades também mudaram, então acho que não vou abordar mais sobre baterias e outros pontos do mercado renovável.

Também tinha em mente em revisitar e fazer um revisão na tese de urânio, colocando mais detalhes e atualizações, porém vai ficar pra próxima, devo fazer um post de atualização e só. Enfim, espero que esses posts e ideias ajude alguém ou desperte a curiosidade de alguns assim como foi comigo, um grande percentual da minha carteira está alocado nessa modalidade e depois do dever de casas feito é sentar e esperar, agora é ter paciência e fazer leves acompanhamentos, vamos ver o que o futuro nos aguarda.

TR